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12.8.2007
Acabei de descobrir, por acaso, o blog CIDADANIA, de Eduardo Guimarães (http://edu.guim.blog.uol.com.br/). Passei o endereço para a minha lista de amigos. Mas, quero fazer alguns comentários:
Primeiro, não gosto de associações, de partidos políticos, de comunidades, de clubes ou quaisquer outros movimentos em que se precisa associar, ter carteirinha, pagar (ou não) anuidades etc. Por isso, não sou filiado a nada, em minha vida. Participo, quando muito, de reuniões literárias ou dramatúrgicas com amigos, sem nenhum compromisso senão o de encontrar esses amigos e com eles poder trocar meia dúzia de idéias.
Segundo, também não participo de movimentos em prol de qualquer idéia, governo etc. Nem contra.
Terceiro, e o mais importante. Leio jornais e revistas, visito blogs, ouço rádio, vejo televisão. E conheço um pouco de história. Mas, principalmente, trabalho com a lógica dos acontecimentos, analisando-os o mais friamente possível. Meus (parcos) conhecimentos da história recente desse País me lembram os tempos do mar de lama de Getúlio Vargas: o denuncismo lacerdista que levou ao suicídio um homem cuja trajetória não me é nem um pouco simpática, mas do qual ficou a idéia de que era tudo, menos o corrupto e canalha pintado nas folhas das revistas e jornais da época. Depois, veio Juscelino. O mar de lama subiu para o planalto central e JK era pintado como o maior ladrão da história republicana. Elegeram, então, Jânio Quadros, com o beneplácito e o apoio explícito dessa mesma mídia. E deu no que deu. O próximo a ir para o pelourinho foi João Goulart. Contra ele, essa mesma mídia, que tem hoje quase os mesmos donos de então, enalteceu o golpe militar e calou-se (embora, muitas vezes, tenha sido calada) diante de todas as atrocidades. Na campanha pelas diretas, eles (agora reforçados pela televisão) timidamente deram voz aos movimentos populares. Para, depois, se encantarem e apoiarem escandalosamente, primeiro o caçador de marajás (que foi o desastre que foi) e depois o político tucano, em detrimento do sapo barbudo. Que, finalmente, chegou ao poder pelo voto livre do povo, contra tudo e contra todos, principalmente contra os interesses deles. Mas essa mídia (agora uma matilha de cães raivosos a falar em nome de minorias perdidas em suas artimanhas inutilmente golpistas) não perdoa que um ex-retirante nordestino, um ex-operário quase analfabeto vista ternos Armani, para ser recebido e respeitado por todos os governantes do mundo. E mais: que esse homem rude, com seu jeito às vezes desastrado, com seu palavreado que não tem o lustro da Sorbonne, consiga governar para os mais pobres e, ao mesmo tempo, tirar a economia do País do atoleiro em que deixara seu sucessor, apesar do beneplácito e dos aplausos desses mesmos que lhe atiram pedras, porque acham que programa social é esmola, e pobre só precisa de trabalho duro, de preferência bem longe da casa-grande, sob o relho dos feitores, quando todo mundo sabe que trabalho só se encontra quando a economia cresce. E é isso o que está fazendo o sapo barbudo: fazendo o País crescer. E isso eles não admitem.
Por último, não gosto do nome movimento dos sem mídia. Mas isso, absolutamente, não interessa, diante da importância de tormarmos conhecimento de que eles, os donos de jornais, revistas, rádios, televisões, não podem impor sua vontade com a cobertura enviezada por seus interesses como têm feito até agora. Dizia um antigo político: aos amigos, tudo aos inimigos, a lei. Para a nossa mídia atual, é mais ou menos isto: aos amigos, aplausos para os demais, a denúncia, não importa se verdadeira ou mentirosa. Podem ser ladrões os amigos, podem ser honestos os outros, isso não tem absolutamente relevância nenhuma para eles.
Então, apóio, sim, o tal do movimento. E mesmo que não cheque a participar do ato de repúdio às inverdades da imprensa, que se pretende realizar no dia 15 de setembro, às 10h, em frente ao jornal Folha de São Paulo, com certeza estarei torcendo para que as pessoas que tenham um pouco de bestunto nesse país, que pensam com um pouco de lógica e não com o viés partidário, possam também apoiar e até participar do tal ato. Para não sermos, de novo, iludidos como no passado, por nossa inércia.
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