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Veneno da Flor.
Onde tudo parece magia ao espectador, o palco, é local de trabalho da alma do ator.
Na noite quente do verão de 1980, na estréia de uma peça teatral, o que seria mágico, tornou-se trágico.
Artistas nascem diferentes. Parece até que são feitos de outro pó. Vivem num mundo paralelo. Seus pensamentos são sempre voltados para a leveza, o belo, o sonho, o amor.
Nos ensaios diários, naquele palco frio, sem as cores e os efeitos finais, atores decoravam suas falas nuas. O sentimento tinha que aflorar através das palavras escritas por alguém que não se conhecia, o dramaturgo. Eram apenas palavras, diálogos vazios.
A música entrava em vários momentos, movimentos de danças entremeavam as cenas.Som, luz ação......paixão.
Seguiu-se por três meses consecutivos aquele convívio louco, algumas vezes pálido.Quando não era ficção, era coração cego de ilusão, ou, olhar de pura sedução, traição. Traição???
Não dava pra não reparar naquele casal de atores. Eles faziam a cena perfeitamente, transbordavam em sentimento. Era a cena mais importante, o desfecho da trama.
Estreou enfim.
Na noite de quinta-feira, o teatro lotado. O calor incomodava as pessoas na platéia. Nem o primeiro sinal tinha sido dado, a impaciência tomava conta de todo o espectador.
O vácuo da espera... Cortina fechada...Silêncio surdo...
O primeiro sinal, seguido do segundo e, imediatamente, o terceiro.
Luzes. Personagens, almas vibrantes no palco. Vida, mostrando a vida.
Tudo é encantamento, magia e deslumbramento. Final do espetáculo: Simone ”A Dama Das Camélias” morre em cena. Simone morre. Simone morre.
Margarida, a personagem de Alexandre Dumas, desta vez morre de tuberculose, como foi escrito.
Simone, no entanto, no papel de Margarida, morre envenenada por seu marido e diretor. -00-
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