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Os anos passaram para Rosana, mas conseguia manter-se, altiva e
orgulhosa. Nada, nem ninguém conseguia dobrar seu espírito endurecido...ácido, como uma fruta verde.
Caminhava pela rua com passos fortes, secos...autoritários.
Era respeitada pela vizinhança e temida pelas crianças. Ninguém ousava debochar de sua postura e de sua maneira de ser.
Todos a viam como uma pessoa má e voluntariosa. Bem...
Essa era a imagem que passava aos vizinhos. Na porta de sua casa ninguém parava. Nenhum automóvel estacionava e
nenhuma árvore florescia.
Todos já conheciam seu temperamento mas não davam importância.
Ela fazia parte da paisagem e do cotidiano daquele bairro.
Como tudo nesta vida passa ou se transforma, um fato novo veio mudar completamente o destino daquela mulher.
Certo dia um caminhão de mudanças parou na casa ao lado. Muitos móveis foram deixados e da noite para o dia a movimen-tação da rua mudou. Além de dez pessoas vieram morar dois cachorros, um papagaio muito alegre e falante e uma gata prenhe.
A fachada foi pintada de amarela. Não amarelinha, mas amarela gema de ovo, que doía os olhos, ao olhar.
Uma família barulhenta, com muita alegria e cheia de vida. Todos saiam à rua
Falando alto ao despedirem-se de alguma visita. Eram queridos.
Todos os dias pareciam festivos. Amigos chegavam cheios de pacotes e sorrisos nos lábios.
Rosana parecia assustada... Meu Deus ! O que era aquilo? Não tinha mais sossego. A bola das crianças vivia em seu quintal.
Eles educadamente pediam para ela devolver e agradeciam desculpando-se,
e a desmontavam.
A gata também não saia de seu muro. Quando estava no quintal ouvia o papagaio falar. Ele conseguia arrancar-lhe um sorriso. Não falava nomes feios. Mas falava: Vem cá, gostosa!
O tempo foi passando e Rosana tornou-se amiga da família. Sua casa que era cinza recebia a luminosidade da casa amarela. O calor humano deles aqueceu aquele coração endurecido.
Pouco a pouco ela foi se transformando e ficando até bonita. Os gatinhos nasceram em seu quintal e ela todos os dias dava um prato de leite à mãe,para que eles ficassem fortes.
Pouco a pouco Rosana foi ficando parecida com seus vizinhos.
Todo aquele verniz de maldade tinha um nome: SOLIDÃO.
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