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De repente um aperto no coração, tão forte como um soco, que se esvai em forma de um ardor quente que se espalha pelos braços e pernas. O desespero envolve meu pescoço tal qual um cachecol, apertando quase até sufocar. Meu estômago gira como um carrossel à procura da hora de parar e seu conteúdo pede incansavelmente para sair, tornando-se a náusea minha companheira.
Como um furacão meus pensamentos passam e minha cabeça, nesta hora me parece tão frágil a ponto de estourar e espirrar pedaços para todos os cantos. É desesperador, eles não passam, não param, parecem que quando descansam logo se recuperam e retornam mais fortes que nunca com a intenção óbvia de me enlouquecer.
As imagens em forma de flash me torturam e me mostram meus erros e desacertos, mas nunca as soluções, as correções.
Cobranças sem fim, meu eu interno é duro, rígido, sufocador e sádico.
O desespero toma conta do corpo e da alma num ímpeto de pânico. Penso em desaparecer para poder sobreviver. O ar falta, é pesado, não quer entrar nos pulmões por mais que eu force.
Tento desesperadamente mentalizar algo bom, rezo continuamente horas a fio durante toda a escuridão da noite em busca da luz da vida. Aos poucos relaxo e caio em semi-sono que me serve de combustível para a difícil jornada do dia seguinte.
Ao amanhecer, me renovo, me reanimo, rezo, e no banho lavo as mágoas e o peso desta fase negra.
Mais um dia, mais uma luta, vou tentar... vou conseguir...
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