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O clima era pesado. O querido e poderoso chefe tinha morrido. Todo o pessoal presente e só se sussurrava. Altas autoridades prestavam sua última homenagem.
Chegou minha colega de sala-de-aula e sentou-se ao meu lado.Virou-se para mim e começou um papinho amigo:
-- Graças a Deus ele se foi.
-- Vamos respirar melhor.
-- Que crápula de homem.
-- Ele infernizou a nós todas.
-- Lembra o que fez com a Marlene? Ela quase enlouqueceu.
-- Mas me diga uma coisa, você já cumprimentou a viúva?
-- Não, daqui a pouco eu vou.
Respirei fundo, tomei coragem e fui cumprir minha obrigação. Sentei-me ao lado da pobre mulher,que prenteava o morto, rezando e chorando muito.
-- Que pena que morreu!- disse depois de abraçá-la. Fez que sim com a cabeça e lágrimas saltaram de seus olhos.
-- Tão moço, continuei.E que belo chefe ele foi. Nunca nos esqueceremos dele. E após chavecar bem a mulher do chefe, fui sentar-me do outro lado, onde havia uma cadeira vaga.
Passou um tempo, veio de novo minha amiga e tornou a perguntar-me:
-- Escute, você não vai cumprimentar a viúva?
-- Ora, disse eu, mas se fiquei lá uns vinte minutos gabando o infeliz!
-- Mas eu não vi.
-- Mas, eu estava sentada ali, conversando com a esposa!
-- Menina! Mas aquela não é a esposa!
Gulp! Desatamos numa risada, tão forte e desenfreada que as lágrimas saltavam e rolavam...
Tivemos que sair disfarçadamente para acabar o riso lá fora.
No riso desenfreado lavamos a alma das maldades do querido chefe.
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