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( BLOG DO MACACO)
O Caderno 2 do Estadão traz, hoje (22.10.08), uma entrevista com Frans Krajcberg.
Já ouviu falar dele? Escultor de 87 anos está inaugurando uma exposição em São Paulo. Reside na Bahia, em Nova Viçosa. Viu sua família ser exterminada pelos nazistas, na segunda guerra: meu único desejo depois da guerra era fugir do homem, diz ele. Conhecido internacionalmente por sua luta contra a devastação da natureza, usa troncos de árvores crestadas para denunciar crimes contra as matas brasileiras, principalmente contra a Amazônia.
Suas palavras contra a barbárie humana são sempre duras:
Não gosto de falar de meu trabalho como algo artístico. Meu trabalho é minha revolta, meu grito contra a barbárie que o homem pratica. Precisamos fazer parar essa barbaridade. Do ponto de vista artístico, precisamos ver que a arte ainda não conseguiu abrir a porta para o século 21. Estamos diante dessa grande evolução teconocientífica e de um vazio absoluto político. Esse é o meu grito, que posso dar com meu trabalho. Só meu trabalho pode exprimir minha revolta contra essa barbaridade que o homem pratica contra o homem. Nunca houve um século tão bárbaro como o 20. E se continuar assim, o 21 vai chegar à barbárie mais violenta.
Assino embaixo.
E não preciso citar as chacinas, os assassínios por motivos fúteis, as balas perdidas, a pedofilia, o encanto das classes médias e altas pelas drogas, os traficantes e suas queimas de arquivo, a violência contra as minorias ou, nos lares, contra as crianças e as mulheres as queimadas, a poluição das águas que bebemos, do ar que respiramos, do solo em que plantamos a pobreza, a falta de perspectivas de vida de imensas populações em toda a Terra, a desenfreada exploração do homem pelo homem, o trabalho escravo a ilusão de religiões que prometem o paraíso em troca dos poucos trocados de seus seguidores empobrecidos financeira e mentalmente, as filosofias do ganho fácil, o terrorismo, o ódio entre oriente e ocidente, a falácia de todas, absolutamente todas, as religiões as políticas belicistas de nações e líderes sem causa ou defensores do quanto pior melhor...
Enfim, vamos deixar de ser hipócritas: precisamos fugir desse homem que vem sendo moldado há dois mil, três mil, dez mil anos de pregação belicista e de culto à morte. Ou adotamos o respeito à vida e à natureza como o mais alto valor, acima de deuses, de religiões, de políticas e de políticos e de nações e filosofias, ou ainda teremos que dar razão a Krajcberg por muitos e muito anos.
Gritemos. Gritemos o mais alto possível contra a barbárie.
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